Não, eu não vou falar das mulheres que tomam as ruas com os peitos de fora defendendo pautas relevantes porém com atos incoerentes e ofensivos. Falarei sobre a verdadeira essência da palavra sororidade. Para começar, retornemos ao passado…

Antigamente as mulheres compartilhavam mais facilmente suas coisas, ideias e sentimentos. Havia um sentido de grupo mais evidente, seja nas conversas na calçada no final da tarde, na troca de receitas culinárias, no pedido de “uma xícara de açúcar” para poder terminar a massa do bolo ou no papo casual pelo telefone fixo. De qualquer maneira, existia uma rede de apoio entre elas, positiva, se partíssemos dos exemplos que citei acima, mas negativa, no sentido de ser muitas vezes excludente. Vou explicar! Se você se lembrar um pouquinho da sua infância (lá na década de 70 e 80), na época, as mulheres que faziam parte daquele grupo eram as casadas, bem estabelecidas e pertencentes aos padrões de família tradicional (Pai, Mãe e filhos). Muitas delas se autodenominavam “do lar” carregando todo o status de esposa de marido bem sucedido e bem remunerado que a dispensava de trabalhar. Discriminavam “as desquitadas”, “as mães solteiras” ou “as que não deviam ser de família boa” bem como seus respectivos filhos, que por tais motivos, não podiam brincar com os filhos delas. A amizade, o companheirismo aconteciam entre as consideradas “iguais” e talvez pela falta de informação, esse vínculo sadio e tão benéfico não era estendido às demais mulheres.

Agora, voltando para o tempo presente, muitas vezes deixamos de nos ajudar por mero capricho, pelo ímpeto competitivo do mundo do trabalho ou pela concorrência sem sentido. Nos tratamos como inimigas e não damos o devido valor às outras mulheres, talvez por desconhecimento. Esse comportamento contribui para minar os esforços de uma vida inteira dedicada ao estudo e ao trabalho em meio às diversas privações e falta de oportunidades.

Quando abordo o conceito de Sororidade, me refiro ao vínculo entre as mulheres no sentido de solidariedade. Não é apenas ser “amiga“, mas ter empatia, cumplicidade e união com o objetivo de fortalecer a inserção das mulheres na sociedade garantindo sua liberdade e direito de escolha. Aplicando o conceito de maneira correta, podemos gerar uma mudança social!

Um exemplo que ilustra com mais clareza o significado de sororidade é a história de Phaly Nuon, uma mulher sofrida cuja jornada eu arrisco comparar com a Fênix da mitologia (a ave que renasce das cinzas). Conheci sua trajetória ao ler o livro “O Demônio do Meio-dia: uma anatomia da depressão” do autor Andrew Solomon. Indico a leitura! Para mais detalhes, clique na imagem abaixo👇.

Logo no início da obra, o autor conta que Phaly passou por diversos abusos no Camboja durante o regime comunista na década de 70. Perdeu sua filha de 12 anos e fugindo desse horror com o filho bebê viveu escondida em uma floresta por 3 anos. Mas, seu leite secou, viu seu filho morrer de fome em seus braços e foi abrigada em um campo de refugiados. Lá encontrou muitas mulheres sobreviventes da guerra porém vítimas de estresse pós-traumático que estavam definhando aos poucos pela depressão. Ela decidiu aplicar sua própria terapia que consistia, resumidamente, em 3 passos: esquecer, trabalhar e amar.

Ela propunha que as mulheres cuidassem de si mesmas, e umas das outras, fazendo as unhas dos pés e das mãos, arrumando os cabelos. Sugeria que fizessem trabalhos manuais, aprendessem algo novo de forma a se orgulharem do que faziam. Essas ações aumentavam a intimidade e a confiança entre elas. Sentindo-se cuidadas, seguras e fortalecidas, o amor à vida desabrochava. Ela criou um Centro para tratamento de depressão para mulheres que passaram por todo tipo de sofrimento, instalado na capital do Camboja (Phonom Penh) além de um orfanato no qual trabalham mulheres recuperadas e anteriormente assistidas por ela. E olha que esses projetos iniciaram em sua própria casa!

Nessa altura do texto, você deve ter compreendido a profundidade do termo, porém, como podemos iniciar um movimento, partindo de nós mesmas, em direção à mudança para uma vida que contemple o “amor ao próximo” ❤️(no caso, o “amor à próxima“)?

Para dar início a essa rede de apoio, decidi compartilhar com você os trabalhos, projetos ou iniciativas de algumas mulheres que, de sua maneira particular, geram algum tipo de mudança social. Mas pensei, são tantas as mulheres que protagonizam mudanças ou inovações de modo a facilitar a vida das pessoas, inclusive de outras mulheres… Então, por onde começar? Escolhi apoiar inicialmente algumas “Xarás”, compartilhar suas ideias, indicar seus canais de contato com a finalidade de incentivar, tanto você que gostaria de colocar suas metas e projetos em prática, quanto elas a continuarem a fazer a diferença. Umas, eu conheço pessoalmente, outras, somente os seus trabalhos ou resultados positivos divulgados pelas mídias sociais. Vamos lá?😃

🌺 Priscila Saboia: Personal Organizer

Especialista em organizar residências, de tempos em tempos oferece cursos Online gratuitos como a “Semana da Organização” além de publicar vídeos sobre o tema no Youtube. Eu já participei de seus cursos e me foram muito úteis. O próximo acontecerá de 06 à 13 de abril de 2020. Clique 👉AQUI para se inscrever.

🌹 Priscila Randow: Casa Sustentável

Tomei conhecimento do seu trabalho à partir da Pri Saboia. Além de um blog, ela publicou um livro muito legal: “Manual da Casa Sustentável: dicas para deixar sua casa amiga do meio ambiente”. Nas suas palavras organizar “…também significa Cuidar, Valorizar, Economizar e ser sustentável”. Dê uma olhadinha no livro clicando na imagem abaixo.

🌷 Priscilla Guerra: Canal “Coisas que eu sei”

Fui direcionada ao seu canal do Youtube há mais ou menos 1 ano quando procurava informações sobre pesquisas e estudos na Itália. No canal, ela conta a sua história como brasileira que resolveu mudar de país, de profissão e de vida. Mostra com sinceridade os desafios, o lado bom e ruim e as situações que permeiam à sua vida e de seu marido naquele país. Para saber mais sobre o canal, acesse 👉AQUI.

🌻 Priscila Ribeiro: Blog “Materno Amor Eterno”, “Fabriquinha de Brinquedo Inclusivo” e “Diversão Gigante”

A Pri Ribeiro é minha amiga da juventude, embora há anos não a vejo pessoalmente. Você vai ver que ela é uma mulher muito dinâmica e cheia de ideias, além de se empenhar em trabalhos muito interessantes. O Materno Amor Eterno é um grupo de mães de Campinas e Região, uma organização comunitária com página disponível no 👉Facebook e canal do Youtube (Veja 👉AQUI). A Fabriquinha de Brinquedo Inclusivo é uma iniciativa que consiste em disponibilizar brinquedos inclusivos para crianças com deficiência visual, física/motora e surdez brincarem juntas com quem não tem deficiência, trazendo o lema “Diversão para Todos!“. Veja mais detalhes clicando 👉AQUI. A Diversão Gigante é a sua mais recente iniciativa. São jogos de tabuleiro gigantes para jogar com o corpo. Dê uma olhada nas fotos e contatos clicando nesse 👉LINK.

🌼 Priscila Vaiciunas: “Manas à Obra”

Você deve ter uma ideia da dificuldade de fazer pequenos reparos na sua casa ou contratar prestadores desse tipo de serviço que atendam em domicilio, principalmente se você mora sozinha. A Manas à Obra é uma alternativa aos “Maridos de Aluguel” e tem como objetivo oferecer serviços de reparos domésticos, instalações ou manutenção sem discriminação, assédio ou qualquer tipo de abuso ou preconceito. Há várias outras iniciativas como esta sendo aplicadas em muitas regiões do país. Leia mais na publicação da Casa Vogue acessando 👉AQUI.

Antes de concluir o post, indico a música “Beautiful” da Christina Aguilera em um vídeo legendado do Youtube, trecho da série Glee. Clique AQUI para ver e ouvir.

🎧 Audioblog 🎧

Audioblog: A verdade por trás da palavra sororidade. 05/04/20

Continuando… a mensagem é essa, valorize as mulheres que iniciaram uma nova carreira depois que os filhos cresceram, aquelas que recomeçaram do zero depois de serem abandonadas pelos “companheiros“, as prestadoras de serviços, as que fazem do artesanato a sua profissão, as doceiras, boleiras, costureiras, diaristas e as novas empreendedoras, que muitas vezes empregam outras mulheres ou preferem dar uma chance às profissionais parceiras.

Conheça, experimente seus serviços e compartilhe com outras pessoas. O que eu ganho com isso? Nada!!! É assim que começamos a entender e aplicar o verdadeiro significado por trás da palavra sororidade, até chegar o dia, em um mundo justo e unido pelo amor mútuo 😍, que ela se torne dispensável ou apenas a lembrança de uma época remota…

Grande beijo 😘 e até a próxima semana 🙋‍♀️.

7 comentários sobre “A verdade por trás da palavra Sororidade

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