Depois da suspensão das atividades presenciais e do isolamento social estamos literalmente vivendo por trás das câmeras. Muitas expressões da tecnologia e ferramentas digitais estão tão comuns em nossas casas quanto os utensílios domésticos da cozinha. Ao contrário da ideia vendida pela mídia para incentivar o consumo de equipamentos eletrônicos, a tecnologia vêm roubando o tempo ao invés de facilitar a vida.

Para você ter uma noção do que eu estou falando, preparei uma palestra e fui gravar o vídeo para enviar por e-mail. Atualizei o aplicativo para gravação e tentei usá-lo pela primeira vez e a câmera do meu notebook desligava… Reinstalei a câmera. Gravei pela segunda vez e quando terminei, percebi que os slides da apresentação não haviam sido salvos (só o meu “carão” estava estampado na tela). Somente na terceira tentativa a gravação saiu. Mas você pensa que acabou por aí? A próxima etapa foi trabalhar na edição. Baixei o vídeo para cortar os inconvenientes (risos), por exemplo, uma tosse, o barulho do meu porta lápis caindo no chão ou palavras que teimo em repetir, tais como, “então“, “” e ““. Quando terminei, a mensagem de erro “arquivo corrompido” apareceu na tela e me deu até “batedeira“. Recomecei a edição do zero! Resultado: demorei umas 4 horas para fazer um vídeo de 22 minutos!

Foi então que me lembrei de uma tirinha criada por Amábile Piacentine que li em uma das minhas redes sociais 👇

Tirinha: Amábile Piacentine

E pensar que muitas pessoas comentavam no início do período de suspensão das aulas presenciais, que os professores estavam de “férias“! Quando retornaram, por meio de aulas remotas, foram fortemente julgados e submetidos por análises precipitadas que desconsideravam a histórica precariedade do trabalho docente (dentre outros, os baixos salários, falta de materiais, de incentivo e de tempo para capacitação continuada). Prefiro pensar que tais julgamentos são por consequência de desinformação ou da mera reprodução da opinião alheia.

Estou do “lado de cá e do lado de lá” pois, além de ser professora, tenho filhos em idade escolar. Participando de um grupo de mães no Whatsapp percebi a aflição das mães, que não são professoras, mas trabalhadoras em diversos segmentos profissionais, com suas incertezas e a pressão em dar conta de tantas demandas.

No início do isolamento, não sabíamos ao certo o que esperar de uma aula à distância. O grupo fervia com mensagens sobre dúvidas e receios. De uma semana para outra aprendemos a usar a sala virtual e acessá-la por e-mail, além de baixar e aprender a mexer em aplicativos de videoconferência. E pensar que antes ficávamos preocupadas com as provas e a lição de casa, agora TUDO É DEVER DE CASA!

Não houve tempo para a transição e a adaptação foi forçada. Com a nova rotina, professores, pais e alunos (na verdade todo mundo!) têm a falsa ideia de que estão disponíveis a qualquer hora. Os e-mails, mensagens de celular e links para “meets” jorram de manhã, à tarde e à noite (o meu Wi-Fi fica desligado na madrugada…). Desse emaranhado nascem novas tarefas na agenda, pois sem querer, assumimos responsabilidades que não caberiam no “horário presencial” e forçamos o encaixe no “horário virtual“.

Estamos confundindo público com privado. Nas aulas gravadas ou “lives” escancaramos a intimidade dos nossos lares e expomos detalhes de momentos familiares. Antes, nos preocupávamos com a alta exposição nas redes sociais como resultado da publicação de imagens que nós mesmos escolhíamos, mas agora, me parece que a situação está saindo do controle.

Mas, o que podemos fazer?

Antes de responder a essa questão, vamos dar a pausa para a música.

Hoje vamos de U2 com a mensagem de otimismo da música Beautiful Day. Clique abaixo para cantar junto👇

Voltando à questão do que podemos fazer, no meu simples ponto de vista, há 2 palavras que podem ser consideradas nessa reflexão:

  • Informação

Fuja de “Fake News“. Quem as espalha é “fofoqueira digital“. Sabe aquela vizinha de antigamente que ficava espiando da janela para ter assunto e falar da vida “do zoto“? É a mesma coisa! Antes de “comentar” e passar a “novidade” para frente sobre o trabalho ou um serviço prestado, experimente pessoalmente para emitir a opinião. Se for uma informação sobre fotos ou notícias, cheque a sua veracidade. Se não há certeza, é mais sensato não opinar. Além do mais, concentre-se no que é essencial (falei sobre isso nesse👉 POST) e evite distrações que dispersam a atenção para assuntos pouco importantes e que contribuem para a perda do foco.

  • Limite

Estabeleça o tempo para o trabalho e o tempo para o descanso. Embora percamos a noção do tempo, é preciso limitar o horário de atendimento online (telefone, e-mail e redes sociais). Você pode esperar até amanhã para responder ou receber uma resposta. Pequenas pausas são bem-vindas durante o dia e nesses momentos, fiquemos longe do celular!

É importante ter disciplina para não ceder à tentação de assumir “só mais uma tarefa“, pois “tenho 30 minutos sobrando na minha agenda“, ou ainda “eu vou trabalhar uma hora a mais hoje para adiantar ou não me atrasar amanhã“. Isso tudo é uma ilusão, é autosabotagem! Como dizem aqui na minha terra “larga a mão disso“!

Também me refiro ao limite do nosso espaço pessoal, do nosso espaço interno. Temos que aprender a dizer “não” sem sentirmos culpados por chatear alguém ou com a sensação que estamos perdendo uma grande oportunidade. Temos que deixar os melindres de lado ao receber um “não” de alguém. Estamos apenas respeitando as escolhas de ambas as partes.

É evidente que estamos perdendo nossa habilidade social que se mostra um tanto debilitada…. Efeito colateral da falta de interação “face to face“, do contato físico fraterno ou de afeto? Talvez sim… Mas esse assunto vai render um papo bom para um próximo post (os escritos estão em andamento).

Aproveitando o tema, indico a leitura do Livro “A Última Grande Lição” do Autor Mitch Albom que conta a história de sua experiência com um professor que o fez modificar a sua visão restrita de mundo e o auxiliou na escolha de novos caminhos. Para saber mais, clique na figura abaixo👇

Por enquanto, vamos nos permitir dar um tempo para processar tudo isso e tentar consertar o que estragamos na nossa rotina diária. Pois, na correria da vida é como se quiséssemos “trocar o pneu com o carro andando“. Definitivamente, não dá! Seja você professor(a) ou não, estamos todos juntos nessa peleja!!! Estou me esforçando, tentando corrigir uma coisa de cada vez. E você?

Então #ficadica 😉

🎧 Audioblog 🎧

Audioblog: Making Off da profissão professor. 07/06/2020

Querida(o) Leitor(a), se gostou do texto, compartilhe e não esqueça de seguir o blog Cresce e Aparece! Todo domingo um novo post para reinventar a vida e compartilhar experiências.

Grande beijo😘 e até logo mais!

Ps* Quero mandar um beijo especial a minha irmã Nicolle que está aniversariando no dia de hoje. Parabéns para a fotógrafa do meu coração. Muitas alegrias para você sempre!!!

5 comentários sobre “Making of da profissão professor

  1. Adorei, Priscila. E já compartilhei com Vanderlei , 2 sobrinhas professoras e amigos q, com certeza, vão gostar das dicas: informação e limites são necessários, mesmo!!!!
    Bjs.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s