Saudade pode ser explicada como um sentimento melancólico por sentir falta de alguém ou de algo, mas também pode ser descrita como um emaranhado de sentimentos como falta, perda, distância e amor. A vontade de reviver experiências pode chegar de mansinho ou de supetão. Se você me perguntar do que exatamente estou sentido falta do meu ofício de professora, dando continuidade ao papo do 👉 POST da semana passada, eu responderia: do contato, do abraço, dos sorrisos durante o intervalo do cafezinho, além, é claro, das confraternizações do laboratório de pesquisa regadas à bolo e à “conversa fiada“.

“Eu gosto de abraços quentinhos!!!”

Olaf – Frozen

Recentemente li um 👉 texto que explicava 4 razões por que o toque é algo tão importante:

  • 1️⃣ Abraços frequentes têm a capacidade de regular os batimentos cardíacos e a pressão arterial diminuindo o estresse e a ansiedade.
  • 2️⃣ O contato físico realizado de maneira apropriada (com consentimento), seja ele um aperto de mão🤝, um “toque aqui” 🤜🤛ou um tapinha nas costas👋, passa uma mensagem não verbal de apoio e cooperação.
  • 3️⃣ Toques físicos ativam áreas do cérebro que levam aos sentimentos de recompensa e de compaixão.
  • 4️⃣ Pessoas que experienciam contatos físicos com afeto são menos agressivas e emocionalmente estáveis.

Há ainda os efeitos terapêuticos do toque, detalhadamente descritos no livro “Toques Sutis:uma experiência de vida com os ensinamentos de Pethö Sándor” da autora Suzana Delmanto. Sándor era médico, psicólogo e quem criou a Calatonia – técnica de aplicação de estímulos suaves (com as pontas dos dedos das mãos do terapeuta), normalmente iniciado na ponta dos dedos dos pés do paciente e em áreas onde se concentram grandes quantidades de receptores nervosos. Para saber mais clique na imagem abaixo👇

Tocar: o significado humano da pele” é um outro livro muito interessante que versa sobre o tema escrito pelo antropólogo Ashley Montagu. Uma obra esclarecedora sobre a “integração fisiopsíquica” e as diferentes faces da sensibilidade. Veja 👇

Podemos comparar os “sintomas” da saudade com os da abstinência de drogas (claro que numa magnitude bem menor). Li um 👉artigo científico em que os autores afirmam que a saudade é importante para ajudar a criar um sentido para a vida, ao possibilitar a conexão com o passado para que possamos compreender melhor o nosso presente.

Me dei conta da distância de alguns “passados” e de quanto a minha realidade presente mudou ao conversar com a minha filha enquanto ela escolhia um filme para assistir na TV. Foi quando, ao ver a figura de uma loira sorridente na capa de um filme, ela me perguntou: “Quem é Xuxa?“👀.

Durante a arrumação da casa, encontramos um rolo de filme de máquina fotográfica. Ela me olhou com cara de interrogação e nem imaginava o que era aquele objeto. Então expliquei que “no meu tempo” nós revelávamos as fotos quando terminava o rolo e sem saber se haviam ficado nítidas ou dentro do enquadramento. Além disso, naquele rolinho cabiam no máximo 36 poses e custavam caro! As expressões “Queimou o filme” e “Caiu a ficha” costumam não fazer muito sentido para a geração que não viveu os anos 80.

E a nostalgia não termina por aí. Ah! como era bom escrever cartas e cartões postais! Tudo era manuscrito, sem contar o ritual de escolha do envelope, selar a carta e levar a correspondência aos correios. Quando eu era criança, os cartões também eram enfeites da árvore de natal da minha casa, além das tradicionais bolinhas coloridas.

Seria legal retomar esse hábito. Que tal organizar um grupo de amigas para propor um “Clube da Carta” ou “Clube dos Manuscritos“? Talvez assim, possamos reaprender a esperar, a curtir a expectativa do retorno, a deixar de lado a nossa urgência por respostas imediatas. Somado a isso, imagine a sua dedicação em escrever algo de maneira elaborada pensando no destinatário. Escolher canetas coloridas, incluir uma flor seca entre as folhas de papel, adicionar um perfume, fazer um desenho bem bonito… ✍️ O mundo digital não nos permite essas sensações.

“O e-mail é prosa e a carta é verso!”

Cresce e aparece!

Mas, escolha a dedo esse grupo de amigos pois já vi excelentes iniciativas com o intuito de promover a integração de pessoas não atingirem o objetivo almejado devido à falta de interesse ou de empenho de alguns participantes. Por exemplo, participei de um grupo de Whatsapp no qual, cada membro deveria mandar um poema para o e-mail da 1ªpessoa de uma lista de nomes. O processo era o seguinte, deletar o último nome e acrescentar o meu como primeiro da lista e então, mandar para 5 amigos. Se tudo corresse bem, eu receberia alguns poemas na minha caixa de entrada. Não recebi nenhum! (nem no Spam). Participei de outro grupo com o mesmo formato, mas com a proposta de troca de receitas, e continuo na espera de algum retorno…

Enquanto eu espero (risos) vamos fazer uma pausa para a música 🎼.

A sugestão da música de hoje é “Onde anda você” de Vinícius de Moraes na Voz e no violão de Tiago Nacarato. Vocês sabem que eu gosto do programa The Voice (falei sobre o tema neste 👉 POST) e mesmo que eu não assista pela TV, procuro minhas músicas preferidas no YouTube sendo interpretadas por diferentes artistas novatos em acessão. Foi numa dessas buscas que achei o programa The Voice Portugal de 2017. Acompanhe 👇

As nossas antenas da saudade captam imediatamente as memórias de pessoas caras quando sentimos determinados cheiros ou gostos. Quando come doce de leite de corte caseiro, meu marido diz resgatar lembranças de sua infância quando visitava sua avó no sitio. Achei uma receita que usa somente 2 ingredientes e “facim” de fazer. Clique abaixo👇 para seguir a receita.

Lembro-me da minha avó Petronilha quando vejo fotos na internet daquelas amostras antigas de batom da Avon. Ela me dava alguns e era o meu arsenal de maquiagem infantil, além do brilho labial em formato de moranguinho de gosto adocicado que toda menina tinha naquela época. Você se lembra?

E ao falar de saudades, sentimentos e emoções, lembrei-me de um autor que vale a pena conhecer. Eu conheci os escritos de Antônio Damásio enquanto cursava o mestrado. Li quase todas as obras desse médico e pesquisador que tem suas bases na neurociência e na psicologia. O livro mais recente dele 👉”A Estranha ordem das coisas: as origens biológicas dos sentimentos e da cultura” ganhei de presente do meu marido e está na minha fila de leitura. Gente, eu não dou conta de tudo que ainda quero ler! ❤️📚

Contudo, sugiro que você comece com o livro “O erro de Descartes” para ampliar o conceito do “Penso, logo existo” e chegar ao “Sinto, logo existo” compreendendo a integração cérebro e corpo bem como o papel das emoções e dos sentimentos nas nossas vidas. Gostei do autor pois me identifiquei com suas ideias de que razão e emoção não são opostos, mas trabalham em conjunto.

Em uma entrevista para a revista Veja, Damásio respondeu a seguinte pergunta: “Como raciocinamos melhor? Felizes ou tristes?

“A felicidade está ligada a certas moléculas químicas e a tristeza a outras. Quando estamos felizes as imagens se sucedem com mais rapidez e se associam mais facilmente. Na tristeza as imagens passam muito mais devagar e ficam como que impressas ali por um tempo. O ponto ideal para a efetividade do raciocínio é a felicidade com uma ponta de tristeza – porque na euforia, o pensamento se embaralha”.

Antônio Damásio

Talvez a saudade seja um exemplo desse ponto ideal… 🤔

Para saber mais sobre a obra clique aqui 👇

🎧 Audioblog 🎧

Audioblog: E por falar em saudade… 14/06/2020

E para você, qual é a sua saudade? Me conta nos comentários.

Se faz tempo que você não fala com aquela amiga de infância, está aqui nesse post a deixa para você ter um assunto para começar uma boa prosa. Comenta com ela!

Se animou em fazer o tal clubinho para reviver os tempos que não voltam mais, redigindo cartas para pessoas queridas, me escreva (webcresceaparece@gmail.com) contando se a empreitada deu certo ou quais foram os seus desafios ou surpresas.

Espero você no próximo domingo aqui no blog Cresce e Aparece!🌼

Abraços virtuais 🤗 e até breve!

9 comentários sobre “E por falar em saudade…

  1. Fiz também o desafio da receita. Recebi algumas. Mesmo pessoas sérias, hoje em dia não querem parar para resgatar os hábitos antigos. Infelizmente! Amei “rever” o brilho labial em formato de moranguinho (rsrs). Outro dia comi carne guardada na gordura. Lembrei-me de minha infância. Minha mãe amava fazer. Ah! Vou testar a receita do doce de leite.

    1. Priscila.
      Essa semana foi muito corrida e só hj estou lendo vc!
      E como sempre, adooorei o tema, muito propicio para o momento q estamos vivendo, a receita (Vanderlei vai testar), a ideia de escrever carta, ad sugestões de leitura e a música…uma dad minhad preferidas.
      Vou mandar no grupo das mães o poema da Adelia Prado, poetizando sobre a memória afetiva!
      Compartilhei um monte!!!
      Bjs.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s