Certo dia levei meu notebook para consertar e ao negociar o valor cobrado pelo serviço com o dono do estabelecimento, o mesmo me contou que sua esposa tinha vergonha de pedir desconto. Eu disse: “Vergonha eu tenho é de pagar caro pelo serviço!!!”

Mas o que corresponde ao “caro” ou ao “barato“? 🤔Depende de vários fatores e, para começar o papo de hoje, falaremos um pouco de alguns deles à seguir.

  1. 📌O valor que você dá para o objeto da compra ou serviço prestado.

Há uma diferença entre preço e valor. O preço é simplesmente o dinheiro desembolsado, o número na etiqueta e é estabelecido com base em custos fixos e variáveis para a produção, impostos, na margem de lucro, no preço da concorrência e na lei de oferta e procura. O valor é mais pessoal. Atribuído de maneira subjetiva, leva em consideração à experiência proporcionada e o equilíbrio entre o investimento de tempo e dinheiro para a aquisição do produto ou desfrute do serviço. Um selo pode ser apenas um mero pedacinho de papel insignificante para alguns enquanto que para os colecionadores, pode possuir um valor inestimável. E atenção, não seja uma “menina vai com as outras“! Não atribua valor exclusivamente em decorrência da opinião alheia. Claro que você pode pedir opiniões para pessoas mais experientes e confiáveis, que lhe darão um parecer mais realista sobre prós e contras daquilo que você quer comprar. Isso tudo, sempre mirando o foco no contexto e na sua realidade de vida.

2. 📌A real necessidade do produto a ser adquirido

Faça as seguintes perguntas: “eu quero ou eu preciso?” “Eu tenho que comprar agora ou eu posso esperar uma semana ou um mês?” Por exemplo, o botijão de gás acabou, resposta: eu preciso! O forno de microondas pifou, resposta: ainda tenho o fogão e posso arrumá-lo na próxima semana, ou ainda, o eletrodoméstico não tem conserto, vou comprar outro na promoção do mês que vem. Mesmo que você tenha certeza da sua real necessidade, é preciso examinar a relação custo e benefício. Muitas vezes, o fabricante do produto ou o prestador do serviço oferece garantia de defeito por 6 meses ou 1 ano em troca de alguns poucos reais inseridos no preço final. Veja se você está adquirindo um bem duradouro ou um material de consumo. Talvez essas ponderações façam toda a diferença.

3. 📌O quanto você ganha e o quanto isso compromete seu orçamento.

Falei um pouco sobre o planejamento financeiro e sobre o “bloco das contas” neste 👉POST. Nele, eu explico a importância de anotar as despesas e direcionar recursos para os gastos essenciais e supérfluos (pois ninguém é de ferro!). Se a “coisa” que você quer comprar extrapola seu planejamento, principalmente aquele dinheiro que você está investindo para a reserva de emergência, pare e respire fundo antes de colocar tudo a perder.

O poder de compra está atrelado à valorização ou desvalorização da moeda. “Como assim?” Seu dinheiro vale de acordo com o local onde você mora. Sem entrar no mérito das discrepâncias dos preços no âmbito regional ou municipal, as variações são significativas e gritantes quando comparamos diferentes países.

Achei uma 👉pesquisa que comparou o preço de custo de uma cesta básica (com 13 itens) e quanto isso equivale dentro do salário de um trabalhador em 10 países (Brasil, Portugal, Itália, Espanha, França, Holanda, Suíça, Irlanda, Inglaterra e Estados Unidos). Para a padronização das diferentes moedas e para se fazer o cálculo e comparação, foi considerado o valor de 1 hora de trabalho em cada país (correspondente ao salário mínimo por 160 horas mensais). O Brasil, foi o país no qual o dinheiro valeu menos, ficando em 10º lugar. Enquanto o trabalhador brasileiro precisa suar 781 minutos para comprar a sua cesta básica, o americano tem que trabalhar 97 minutos. Usando outros dados, enquanto eu gastaria 8,13% do salário para a compra, o gringo gastaria 1,01% do dele para comprar os mesmos itens! Portugal, que ficou em penúltimo lugar (9º colocação), ainda gasta uma porcentagem do salário bem inferior ao Brasil para a compra, o que mostra como estamos em uma situação injusta. É um absurdo!

4. 📌A qualidade

Esse é um fator tão importante quanto os outros, pois interfere diretamente na durabilidade do produto ou na resistência de um serviço contratado. Não adianta nada comprar uma sandália baratinha que arrebenta depois de poucos usos e ter que comprar outra logo em seguida. Fazendo as contas, você vai gastar mais do que se comprasse uma única sandália de qualidade superior. Com a contratação de um serviço, o raciocínio deve ser o mesmo🧐.

5. 📌Estar ‘antenada’ para saber negociar

Para aprender a barganhar, você deve ter em mente pelo menos os fatores descritos acima, além de estar atualizada quanto ao valor de mercado daquilo que você quer comprar. Isso evita que você desvalorize o trabalho da pessoa que está vendendo, por que a pechincha faz parte da negociação, mas não deve ser confundida com mesquinharia.

Agora, se você é quem vai vender 🤝, podemos pensar em outros pontos relevantes. Não somente em momentos de crise, mas principalmente enquanto passamos por eles, devemos pensar em estratégias para fazer o dinheiro movimentar ao nosso favor💰. Já falei sobre a importância de aprender coisas novas, de lapidar habilidades, de se inteirar de outros ofícios e de nunca achar que não se está na idade de fazer isto ou aquilo. Somos Perennials, lembra? (falei sobre isso neste 👉POST)

Se você precisa de uma grana extra, que tal começar com os itens que você tem em casa, que não usa mais e estão super conservados? Aí, você argumenta: “vender minhas coisas? Eu não, tenho vergonha! O que os outros vão pensar?” Eu respondo com outra pergunta: “Você tem vergonha de ganhar dinheiro? Eu não tenho!

✅A 1ª atitude a se tomar é despir-se dos preconceitos incutidos na sua cabeça. São bobagens que você cresceu escutando, seja dos seus pais, das opiniões de pessoas de uma geração na qual viveu ou o resultado de um orgulho infundado que somente te traz prejuízos (inclusive para o bolso). Essas “coisas” que você está colocando à venda são suas e muitas delas foram adquiridas com esforço e muito tempo de trabalho. Não são roubadas! Então, não há nenhum demérito ou desonra em vendê-las. É hora de mudar o seu mindset (falei sobre o conceito neste 👉 POST).

Para te dar um empurrãozinho, vou dar algumas sugestões. Comece oferecendo suas coisas para suas amigas ou grupos de conhecidos do whatsapp. Tire fotos, informe as especificações e valores e publique em grupos de venda do 👉Facebook ou 👉Instagram. Para ter um maior alcance de pessoas, lance mão de sites de vendas como o 👉Enjoei, o 👉OLX ou o 👉 Mercado Livre. Alguns deles servem apenas como os antigos “Classificados” dos jornais de papel e outros fazem a função de mediador entre comprador e vendedor.

Recentemente, comprei um livro seminovo no site Enjoei e fiquei satisfeitíssima. Além do valor justo do produto, destaco o cuidado da vendedora com a embalagem e com a remessa que chegou antes do prazo pré-determinado. Veja o recado escrito no embrulho que veio dentro da caixa que eu recebi na foto abaixo👇

✅O 2º passo é perder o medo de se expor. Ser uma pessoa reservada, talvez um pouco tímida, é natural. Mas, perder oportunidades incríveis na sua vida por não ter coragem de se colocar, de apresentar sua opinião ou o seu ponto de vista, “são outros 500“. Não estou dizendo que a gente deva ser o que a gente não é. Absolutamente! Na verdade, a recomendação é exatamente o contrário: mostrar o que nós somos e o que temos de melhor!

Atreva-se a mostrar para as pessoas o seu jeito de ser. Não se apavore, aja com naturalidade. Coloque uma “pitada do seu eu” em cada coisa que faz, um gesto, uma palavra, um toque final! Até mesmo um “Não” na hora certa ou quando necessário faz toda a diferença. Pouco a pouco você vai se sentir mais confortável consigo mesma e, consequentemente, com os outros ao seu redor. Quando menos esperar, a mudança para melhor ocorrerá. Então você vai começar a usar a sua “cara de pau” e enfrentar de frente seus medos!

✅Passado o “óleo de peroba na sua cara de pau” e sentindo-se mais confiante, é a hora de passar para a 3ª fase: vender seus produtos. Seja atuando como revendedora, vendendo seus artesanatos ou oferecendo seus serviços, mostre o que tem de melhor neles, identificando todos os pontos fortes (os mesmos que você presta atenção quando vai comprar algo semelhante). Muitas vezes, o comprador em potencial, não se atentou aos benefícios que seu produto ou serviço pode lhe proporcionar. É aí que você entra passando “um marca texto fluorescente imaginário” nos locais, nos detalhes ou nas características relevantes do produto à venda. Fazendo isto, a seguinte frase vai ser proferida pela pessoa interessada: “Nossa, eu não havia pensado desta maneira, é disso que eu preciso!” Na maioria das vezes nós compramos para solucionar um problema, para gerar economia de tempo e de dinheiro ou para trazer algum tipo de conforto em nossas vidas. Pense nisso…

E mantendo o escopo do texto, vamos para a dica da música🎤.

🎼Música do Post🎼

Eu conheci a música escolhida para o post de hoje assistindo um musical de animação com a minha filha. “Sing: quem canta seus males espanta” (2016 – Garth Jennings) é um filme que conta a história de um coala que lança um concurso de canto para salvar um teatro. Entre porcos, macacos e outros animais, aparece uma elefanta para concorrer. A personagem interpreta a música “Don´t You Worry ´Bout A Thing” da cantora Tori Kelly. Numa balada dançante, a letra da música diz mais ou menos assim:

“Sim, todo mundo tem algo

Que às vezes não sabemos como usar…

…Todo mundo precisa de uma mudança

Uma chance para ver coisas novas

Mas você é a única que consegue ver

As mudanças que você tem que passar…”

Clique na imagem abaixo 👇 e curta um trecho do filme!

Passemos agora para a seção #Valeuadica do post.

#Valeuadica

Hoje compartilho com você trechos do depoimento da Adriane à respeito do post 👉 “Um, dois, três, testando” publicado no domingo passado. Depois de enaltecer a música sugerida, ela comentou alguns outros pontos do texto:

Querida leitora, é muito amor envolvido! 🥰Gratidão pelo seu retorno por meio de carinhosas palavras. Muito obrigada!!!

🎧Audioblog🎧

Audioblog: Óleo de peroba na cara de pau. 22/11/2020

Para terminar, comunico que o blog Cresce e Aparece! entrará em recesso no mês de dezembro 🧘‍♀️.

Todos nós precisamos nos resguardar de tempos em tempos. Quando possível é saudável suspender algumas atividades temporariamente reservando períodos para o descanso em um lugar íntimo (seja ele um espaço físico externo como um recanto, um refúgio, nosso próprio lar ou um espaço interno, aquietando o ambiente interior em busca de momentos de paz…). Usarei o intervalo para recarregar as energias e aproveitar para organizar as novas ideias que brotam incessantemente, restabelecendo, assim, o “meu modo criativo” (👉 veja esse POST).

Nesse tempo, sugiro que você aproveite para colocar em dia a leitura atrasada dos posts do blog! Mas ainda te vejo no próximo domingo, tá? Te espero!

Grande beijo 💋 e até breve!!!

3 comentários sobre “Óleo de peroba na cara de pau

  1. Tenho um notebook e estragou o teclado, aí olhei os preços de um novo, mas acabei não comprando, agora não, talvez mais adiante, acabei comprando um teclado comum com entrada USB e um mouse mais moderno, e venho navegando assim, e dessa forma resolvi meu problema.
    Um belo post.

  2. Muito boas as dicas de hj, Priscila. Pechinchar, sem depreciar…grande lição!
    Vou tentar exercitar a dica da venda…sou péssima nisso.
    Vamos sentir sua falta!!!!
    Janeiro vc volta?
    Bjs
    Ro

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