Quando a gente chega na meia-idade começamos a refletir sobre uma série de assuntos, uma vez que tendemos a fazer um balanço entre a compreensão da realidade quando éramos mais jovens e a do momento presente. No post de hoje abordarei o tema “Maternidade” explorando 3 pontos críticos de modo a compartilhar algumas das minhas percepções e vivências que talvez você se identifique.

1º Ponto. A sociedade tende a romantizar a maternidade, depositando na mulher todo o peso de um modelo ideal de mãe infalível. Uma imagem construída que iludia, sobretudo as mocinhas recém-casadas que tinham o dever de gerar um bebê tão logo quanto possível para corresponder às expectativas da família tradicional.

Felizmente, minha primeira gravidez foi planejada conforme o nosso próprio tempo, com muito amor e sem nenhuma pressão externa (e se houvesse alguma, teria sido desconsiderada). Mesmo em situação tão propícia, muita coisa se desenrolou de outra maneira provando que não temos controle de nada nesta vida. Sabe aqueles memes de “Expectativa X Realidade” que encontramos nas redes sociais? Então, vários deles ocorreram comigo e tenho quase certeza de que você deve ter algum “causo” desse tipo para contar.

📌A Expectativa: o nascimento do primogênito seria por meio de parto normal, a amamentação seria imediata e não haveria a necessidade de mais dias de internação no hospital. Em seguida, chegaria em casa em companhia do papai para usufruir de toda a tranquilidade do lar. Receberia o apoio da vovó para ajudar uma “mamãe de primeira viagem“.

📌A Realidade: na 34ª semana de gestação, a bolsa rompeu e meu filho resolveu nascer. Não deu tempo de fazer “Chá de bebê“, a minha mala da maternidade👜 foi feita às pressas pela minha irmã mais nova e deixada no hospital pelos meus pais. O meu mais velho nasceu de cesariana, prematuro, pesando menos de 2kg e seguiu direto para a incubadora na UTI neonatal. Eu estava em Minas e meu marido trabalhando no Mato Grosso e, devido à distância, conheceu o filho (tão esperado) praticamente no dia seguinte ao parto.

Meu menino não tinha força para sugar o peito. Tive que tirar o colostro (o primeiro leite materno) para colocar numa seringa para que os enfermeiros pudessem alimentá-lo através de uma sonda. Foi tão difícil de sair… Era grosso e amarelado. Parecia tão pouco (aproximadamente 1/2 copinho de café). Tive medo do leite não ser suficiente (os profissionais de saúde me garantiram que era mais do que o necessário). Tive receio dele não conseguir ingerir o precioso líquido. Muitas coisas passaram pela minha cabeça. A cada 3 horas eu saia do quarto e ia para a UTI para tentar amamentá-lo e aquecê-lo em meu colo. Ficamos internados por 16 dias. A vovó trazia diariamente as roupinhas lavadas e passadas para o netinho que ela pouco podia se aproximar. O papai me acompanhou o tempo que pode se licenciar do trabalho. Muito presente, me deu total apoio.

Devido à fragilidade do meu bebê, não eram permitidas muitas visitas, e as poucas que poderiam ocorrer teriam a obrigatoriedade do uso de máscara (tão comum nos dias atuais, mas inconvenientes naquele tempo), lavagem das mãos e o uso de álcool em gel, antes e depois de sair do quarto, além de não poder pegar o recém nascido no colo. Tal situação não foi muito bem compreendida pela família que, na verdade, nem sabia como lidar com tantas restrições traduzidas pelos visitantes como “rabugice exagerada dos pais“.

Quanto a mim, não me atentei. Acho que fiquei meio anestesiada com tantos acontecimentos inesperados. Não me lembro de sentir qualquer dor no corte recente no meu ventre. Minha recuperação foi quase que instantânea. No segundo dia, meu peito parecia que ia explodir de tão cheio em função do meu filho ainda não sugar a quantidade correta. Massagens durante o banho aliviavam o meu desconforto. Chorei quando consegui amamentar diretamente do peito. Era maio e, finalmente, comemorei no íntimo o meu primeiro “Dia das Mães“. Tudo isso passou, como tudo na vida…

Meu bebê hoje é um jovem grande, forte e saudável. Vai completar 16 anos neste mês e nem passa perto daquele nenê franzino que exigia constantes e delicados cuidados 👇 .

Redigi esse texto para deixar meu depoimento sobre uma maternidade pouco abordada nas propagandas do “Dia das mães” e para dar força para todas as mamães de bebês prematuros que iniciaram a sua vida de mãe com muitas incertezas e constante apreensão.

Saiba que há uma força que vem de dentro de nós. Sim, você também a tem! Aé a grande companheira de todas as horas. Apoie-se na sua fé. Apoie-se nas pessoas que te querem bem. Se você ou alguma amiga passaram ou passam por situações parecidas, me disponho a ouvi-las, dividir outras vivências da maternidade de prematuro de modo a oferecer algum suporte para que esse momento seja superado. Ofereço meu apoio de coração💝 de mãe!

Sinta-se à vontade. Deixe um comentário, entre em contato por e-mail ou mande mensagem pelas redes sociais. Tentarei responder a demanda o mais breve possível. Acredite, esse tipo de ajuda foi fundamental nos meus momentos difíceis e por isso retribuo oferecendo a minha.

✌O 2º ponto a ser tocado é o jargão maternal: “Eu criei meus filhos do mesmo jeito. Tudo o que faço para um eu faço para outro“.

Para surpresa de todos, depois de certa idade você percebe que não é possível criar os filhos da mesma maneira. Você AMA do mesmo jeito! É diferente. Por que o amor é infinito, é o melhor que podemos oferecer e receber. Não importa se você tem 1 ou 10 filhos, se nasceram da sua barriga ou do seu coração.

Tornei-me mãe pela 1ª vez com 29 anos. Minha filha nasceu quando eu tinha 35. São duas versões diferentes de mim mesma. São dois momentos distintos de uma vida, considerando aspectos psicológicos, sociais e até financeiros. Cada filho apresenta uma personalidade e tem suas próprias peculiaridades. Embora eu poderia citar muitas outras diferenças, esses exemplos ilustram muito bem como a nossa atuação como mãe se adequa às necessidades de cada filho e às exigências externas ao usarmos o arcabouço que acumulamos com a experiência. Não poderia ser de outra maneira. Está tudo bem! É natural! A gente erra tentando acertar esperando que os erros sejam diferentes e que se tornem cada vez mais escassos.

No texto “Grávida aos 46” (reportagem especial da Universa) são apresentados outros argumentos que corroboram com o que eu expliquei acima. Nele, a atriz Carolina Ferraz recorda os seus desafios e relata suas emoções ao ser mãe pela 2ª vez quando sua 1ª filha contava 20 anos de idade. No final da entrevista a atriz afirma que:

“As mulheres precisam se olhar com mais complacência. É difícil pra todo mundo, mas nós temos tempo. Se hoje não dá para ser a melhor mãe do mundo, a gente tem amanhã, tem a semana que vem, pra amadurecer nessa relação e se tornar uma mãe melhor.”

Agora, antes de seguirmos para o 3º ponto, vamos dar uma pausa para a música.

#Dica de Música do Blog🎼

Embora a letra da música não tenha nenhuma relação com o nosso assunto, o título é bem sugestivo. Por isso, a escolha da música do post é “Mama Mia” do ABBA. Assista o vídeo oficial de uma das canções de sucesso do grupo da década de 1970👇.

Voltamos ao nosso assunto, para refletir sobre o ☝✌3º ponto crítico a ser desmistificado. Mãe não é profissão, assim como ser pai também não é. Pronto, falei!

Você alguma vez ouviu de um homem a seguinte frase: “Eu larguei meu trabalho para me dedicar a ser pai. Afinal, meu menino é muito pequeno e precisa mais da minha dedicação. Pelo menos até entrar para a escola…”. Caso tenha escutado, acredito eu que tenha causado certo estranhamento por se tratar de uma raridade.

O que deveria ser equilibrada é a dedicação de ambos os pais aos seus filhos (independente do formato da família: mãe ou pai solo, dois pais, duas mães, avós). Tal dedicação se refere ao cuidado, ao amor, ao afeto, à educação e ao preparo dos filhos para a vida, sem deixar de lado outros âmbitos que compõem a nossa existência.

De acordo com o👉 Dicionário Online de português, “Profissão” é um substantivo feminino que significa:

“Trabalho habitual de uma pessoa através do qual ela consegue os meios necessários à sua sobrevivência; emprego, ofício.”

“Ofício especializado que legitima alguém a fazer alguma coisa, pode ser, ou não, o meio de vida dessa pessoa.”

Desde quando ser mãe é um “ofício especializado“? Não há nenhum manual de instrução ou guia de estudo para se preparar para ser mãe (não me refiro ao pré-natal ou ao cursinho para gestante, embora reconheça a sua extrema importância). Nenhuma escola no mundo conseguiria ensinar toda a capacitação necessária para exercer com competência tamanha responsabilidade. Seria reduzir excessivamente o significado e a profundidade do que realmente é ser mãe.

Ser mãe não é um “trabalho habitual“, é uma dádiva que traz consigo muitos desafios. Por meio desta experiência compreendi o verdadeiro significado de “AMOR INCONDICIONAL“. Só de escrever isso, meu coração 💗se enche de tanta ternura.

Por outro lado, não se culpe por escolher não ter filhos ou não ter tido a oportunidade de concebê-los. É uma opção que deve ser respeitada, compreendida e nunca julgada. Você não é menos mulher por não ser mãe no modelo tradicional. Tenha a certeza de que você transborda AMOR e pode derramá-lo onde quer que você vá e para quem você desejar. Há muito amor maternal em tias para com os sobrinhos, professoras para com os alunos e até mesmo para com os animais de estimação, que se transformam em verdadeiros membros da família.

Enfim, para todas a mães, “pães” (pai mãe), “vães” (vó mãe), deixo aqui minha admiração e gratidão desejando um FELIZ DIA DAS MÃES!!!

Qual seria o melhor presente 🎁 para dar para uma mãe?

Pensando em algo material, apoio a iniciativa de incentivar a compra de produtos e serviços de mães empreendedoras (#compredeumamãe). Um excelente presente imaterial é o reconhecimento diário do empenho da sua mãe (ou a pessoa que representa essa figura em sua vida) em ser uma pessoa cada dia melhor.

Aceitemos as nossas mães da maneira que elas são e sejamos as mães que gostaríamos de ter

#ValeuaDica

Antes de terminar, não poderia deixar de homenagear 👏👏👏a minha mãe divulgando um dos seus trabalhos🧶 no #valeuadica.

Minha mãe se chama Terezinha💐. Carinhosamente chamada de ou Tetê. Faz peças maravilhosas😍 em crochê. Gosta muito de tecer mantas delicadas para bebê por encomenda e costuma presentear os recém-nascidos da família e de amigos com suas obras. Veja as fotos abaixo👇.

Para encomendar a sua manta, escolher a cor e as medidas, acesse o Whatsapp abaixo👇

Espero você aqui no👉 blog Cresce e Aparece! Na próxima semana continuaremos o tema maternidade com muitas dicas, sugestões e “café das mães” !

Grande beijo 💋e até mais!

Em tempo…

Meus sinceros sentimentos 🙏 às mães que foram separadas de seus filhos precocemente e aos filhos que perderam suas mães para essa doença que precisa ser urgentemente controlada.

🎧Audioblog🎧

Audioblog: Desmistificando a maternidade: reflexões da meia-idade. 09/05/2021

Um comentário sobre “Desmistificando a maternidade: reflexões da meia-idade

  1. Priscila,
    Muito importante o assunto q está “desmistificando”…pois não dá para uma mulher ser cobrada pela maternidade o tempo todo. Afinal somos mãe, mulher, esposa e pessoa, ao mesmo tempo.
    Já compartilhando…
    Bjs

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